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Ciência cosmética incorpora o uso da nanotecnologia na produção de produtos que potencializam os efeitos

June 29, 2017

A nanotecnologia está cada dia mais presente na indústria brasileira. Além da ciência, outros setores estão aderindo este tipo de tecnologia para inovar no lançamento de produtos, como os cosméticos. A nanotecnologia aplicada à cosmética refere-se à utilização de pequenas partículas contendo princípios ativos que são capazes de penetrar nas camadas mais profundas da pele, potencializando os efeitos. A docente e Doutora da Universidade Federal do Paraná, Sandra Zanin, vai explicar como esta técnica é aplicada, o surgimento desses produtos, os benefícios e as tendências do mercado.

FCE Cosmetique: O que são os nanocosméticos?

Sandra Zanin: A nanotecnologia voltada para a cosmética tem como foco, sobretudo, os produtos destinados à aplicação na pele do rosto e do corpo, com ação antienvelhecimento e de fotoproteção, capazes de penetrar nas camadas mais profundas da pele, potencializando os efeitos do produto. A seguinte definição pode ser aplicada para um nanocosmético: “uma formulação cosmética que veicula ativos ou outros ingredientes nanoestruturados e que apresenta propriedades superiores quanto a sua performance em comparação com produtos convencionais”.

 


FCE Cosmetique: Em quais produtos podemos encontrar esta tecnologia?

 

Sandra Zanin: No setor cosmético, nanomateriais, como as nanopartículas, estão presentes em xampus, condicionadores, pastas de dentes, cremes antirrugas, cremes anticelulites, clareador de pele, hidratantes, pós-faciais, loções pós-barba, desodorantes, sabonetes, foto protetores, maquiagens de modo geral, perfumes e esmaltes.


FCE Cosmetique: Como e quando a nanotecologia foi aplicada em cosméticos?

 

Sandra Zanin: Tendo como foco o setor cosmético, a empresa pioneira a introduzir um cosmético de base nanotecnológica, no âmbito internacional, foi a Lancôme, divisão de luxo da L`Oréal, em 1995, com o lançamento de um creme para o rosto constituído por nanocápsulas de vitamina E pura, para combater o envelhecimento da pele. Diversas outras empresas internacionais renomadas também passaram a investir em pesquisa para desenvolver produtos nesta linha. Empresas como Christian Dior, Anna Pegova, Procter & Gamble, Revlon, Dermazone Solution, Chanel, Skinceuticals, Estee Lauder, Shiseido, Garnier, Johnsons e Johnsons exemplificam grandes empreendedoras do setor que vieram a lançar produtos baseados em nanotecnologia.


FCE Cosmetique: E no Brasil?

 

Sandra Zanin: No Brasil, a primeira empresa a desenvolver e colocar no mercado um nanocosmético foi O Boticário, com um creme antissinais para a área dos olhos, testa e contorno dos lábios, chamado Nanoserum. A composição nanoestruturada leva ativos como vitamina A, C e K e um produto para clareamento. A tecnologia, desenvolvida em parceria com o laboratório francês Comucel, teve investimentos de R$ 14 milhões e faz parte da linha Active, que começou a ser vendida em 2005. Em 2007, lançou o VitActive Nanopeeling Renovador Microdermoabrasão, cosmético antissinais com nanotecnologia aplicada. Outros itens incluem o Liftserum Antissinais e o Sistema Avançado Antissinais 65+. A Natura, por sua vez, lançou em 2007 um produto para hidratação corporal, chamado Brumas de Leite, com partículas da ordem de 150 nanômetros. No mesmo ano também colocou no mercado o Spray Corporal Refrescante para o público masculino.


FCE Cosmetique: Quais são as vantagens de usar esta tecnologia em cosméticos?

 

Sandra Zanin: As vantagens do uso da nanobiotecnologia na produção de nanocosméticos e formulações dermatológicas advêm da proteção dos ingredientes quanto à degradação química ou enzimática, do controle de sua liberação, principalmente no caso de irritantes em altas doses, e do prolongamento do tempo de residência dos ativos cosméticos ou fármacos na camada córnea. As novas nuances são fortes tendências, pois serão obtidas tonalidades de cores nunca vistas antes.

 

FCE Cosmetique: Quais são as tendências da indústria?


Sandra Zanin: Pesquisas realizadas pela Faculdade de Engenharia Química da Unicamp demonstram que atualmente vêm sendo dada uma maior ênfase a dermocosméticos com ação diferenciada, como é o caso dos nanocosméticos, em que se espera, por exemplo, uma ação mais eficaz em rugas e preenchimentos, pela penetração mais profunda das partículas na pele, sem o risco de alcançar a corrente sanguínea. Isto porque, quando as moléculas dos princípios ativos dos cremes possuem tamanhos maiores elas ficam apenas na superfície da pele, protegendo-a da perda de água, tendo efeito puramente cosmético.


FCE Cosmetique: Qual é a expectativa para o futuro?

 

Sandra Zanin: A nanotecnologia é um fenômeno recente e vêm sendo mais extensivamente estudada e regulamentada principalmente nas duas últimas décadas. Esta tecnologia está promovendo uma revolução científica e tecnológica de proporções ainda não totalmente conhecidas. O setor cosmético vem fazendo uso desta tecnologia devido às diversas vantagens da sua aplicação, principalmente no que concerne a uma maior capacidade de penetração dos ativos nas camadas da pele. Porém, apenas em um futuro próximo, com um maior e mais efetivo desenvolvimento desta tecnologia, é que se poderá ver com mais clareza seus reais benefícios e a segurança dos produtos oferecidos com este apelo. Os possíveis riscos na aplicação de nanopartículas incluem uma possível toxicidade e uma possível ausência de biocompatibilidade dos materiais utilizados. Não menos importante é considerar os impactos ambientais que também pode vir a ocasionar, caso este aspecto não seja alvo de estudos.

 

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